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Home » Violação » Depoimentos » Augusto Branco

Nome completo: Augusto Branco

Profissão: Escritor

Endereço do blog ou página pessoal: http://www.augustobranco.com/

Escreve porque…. Porque necessito. É quase como respirar!

 

Em que situação escreveu “Vida”?

Sou rondoniense e morei em Porto Velho, Rondônia, até meus 23 anos de idade, quando por ocasião de promoção na Caixa Econômica eu fui morar sozinho, em São Paulo.

Ficar longe da família, dos amigos, da namorada (que acabei perdendo), me deixou emocionalmente abalado – tanto mais quando a selva corporativa que encontrei em Sampa não era nada acolhedora. Na noite em que escrevi este poema, estava ouvindo uma série de canções adoráveis e tristes. One, Everybody Hurts, Canteiros, Sinal Fechado… E chorava, e chorava e chorava vendo as fotos de meus familiares, amigos, lembrando do que eu já tinha passado etc. E confesso que ao terminar de escrever o poema “Vida”eu pensei: ora, mas veja só, agora fico escrevendo melodrama!

É um poema simples, com ideias banais, mas escrito com o coração, e parece que as pessoas conseguem sentir isso.

 

De que forma o poema veio a público?

Eu cheguei a enviar o texto para alguns amigos por e-mail, sim. E o original foi para a “cesta seção”, porque após digitar eu jogo as páginas fora, porque minha grafia é sofrível.

 

Como você descobriu que o texto estava sendo repassado com a assinatura de Charlie Chaplin?

Depois de recusar vários e vários convites, finalmente eu resolvi ingressar no orkut. Foi então que vi o poema “Vida” no perfil de minha amiga Paullynha, e levei um susto ao vê-lo assinado como Charles Chaplin! Falei pra ela que o poema era de minha autoria, e ela me informou que tinha copiado o texto de uma comunidade dedicada ao Chaplin. Isso foi em 2008. Já fazia uns cinco anos que o texto havia sido escrito.

 

Como você tentou resolver o engano?

Os primeiros movimentos feitos em torno disto foram levados adiante por duas amigas minhas e uma ex-namorada, as quais tentaram informar alguns internautas que elas localizavam pelo Google. Depois eu mesmo tratei de tentar fazer isto. Montando meu primeiro blog e tentei contar com a cordialidade e bom senso das pessoas. Mas logo vi que isto seria inviável pois havia muitos sites – não apenas blogs – que veiculavam o poema “Vida” com autoria incorreta e estes só estavam dispostos a corrigir isto mediante registro do poema, o que me obrigou a procurar a  Fundação Biblioteca Nacional para solicitar o registro da obra.

 

Como você descreveria a receptividade das pessoas quando você se apresentava como autor do texto?

Apesar de eu já ter ouvido comentários do tipo “ok, você é o autor deste texto, e eu sou Papai Noel”, as pessoas – quando se manifestavam – geralmente eram muito receptivas e cordiais. Mas poucas se manifestavam, então a maioria mantinha o autoria incorreta sem se importar com minha informação.

 

Qual foi sua maior motivação para registrar o texto?

Registrei-o por uma questão moral, unicamente. De repente você se vê passando por constrangimento, por situações desmoralizantes, por alegar que um texto é de sua autoria quando o grande público reconhece como sendo de outra pessoa. É algo que machuca, sim.

 

Você se lembra de alguma situação específica em que a troca de autoria tenha causado algum constrangimento ou mal-estar?

Ainda antes de eu registrar o poema, no ambiente de trabalho, algumas colegas minhas estavam escolhendo uma mensagem de ano novo para colocarem no mural da empresa. Daí me pediram a opinião sobre os textos, e entre eles estava o “Vida”, com autoria atribuída ao Chaplin. Então eu lhes disse que eu era o autor daquele poema – pra quê? Primeiro ficaram incrédulas, depois outros colegas chegaram e começou a gozação. E aí ficavam me chamando de Chaplin, de Shakespeare… enfim… foi uma situação chata. Depois – até porque meus olhos estavam rasos d’água (é, eu sou um manteiga derretida) – elas perceberam que eu estava falando sério, mas preferiram escolher outro texto.

 

Você poderia contar algum caso em que o texto foi divulgado sem a sua permissão?

Eu nem sei… tem tantas e tantas… Sei que este texto é muito citado em rádios Brasil afora, e todos os dias tem alguma empresa criando um adesivo, um quadro, um cartão, ou uma camiseta com ele – e ainda atribuindo o texto ao Chaplin, que é uma forma mal disfarçada de burlar direitos autorais, pois em breve pesquisa na web logo se constata a real autoria. Mas o que me deixa perplexo é ver programas de grandes emissoras de TV – que colhem lucros por conta dos artistas – simplesmente declamarem textos em seus programas sem permissão, e ainda com autoria incorreta. Isto eu considero vergonhoso.

 

Seu poema, creditado equivocadamente, conquistou um público muito amplo. Como você se sente em relação a isso?

Confesso que eu cheguei a acreditar que o poema “Vida” só tinha conquistado o grande público por causa desta atribuição incorreta de autoria, e por certo isto tem seu peso, sim. Entretanto, especificamente no caso de Charles Chaplin, há vários e vários textos com autoria atribuída a ele no Brasil e não são todos que têm a mesma popularidade do poema “Vida”, que é o texto mais citado no orkut entre os brasileiros. Então ele deve ter lá o seu valor independente de levar a assinatura de um artista renomado. E há um fato curioso nesta estória: sou fã de Chaplin, e queria ser Carlitos quando eu era criança, então tbm me sinto honrado e muito grato por este equívoco ter acontecido.

Agora, quanto à minha estima como autor, o reconhecimento de editores e do público em relação a outros textos de minha autoria me deixam tranquilo quanto à qualidade de minha obra literaria. Isso deixa claro não  precisarei viver à sombra do texto “Vida” nem do gigantesco Charles Chaplin.

 

Seu poema foi editado por uma editora portuguesa. De que forma eles conheceram o texto e como entraram em contato com você?

Escrevo desde os meus 7 ou 8 anos de idade, mais ou menos. Em minha carreira profissional, fui desde peixeiro e feirante até gerente de banco. Em dezembro de 2010, após ver todas as minhas iniciativas empresariais irem por água abaixo, eu decidi que iria recomeçar minha vida de um modo completamente diferente. Decidi que eu iria seguir carreira literária, e então comecei a procurar editoras.

Mandei alguns e-mails e nunca obtinha resposta, até que o editor da Parêntese me respondeu dizendo que eu tinha talento, mas que não poderia me publicar porque ‘poesia não vende’. Isto me deixou intrigado. Eu pensava: como poesia não vende, se todo mundo coloca poesia em seus perfis nas redes sociais, se mandam ppt e vídeos com poesia, se escrevem poemas em seus cadernos, agendas, e etc? Daí imaginei que eles é que não estavam sabendo vender poesia. E foi pensando na forma correta de vender poesia que me deparei com o livro ‘O sentido da vida’. É aquele livro dos bichinhos, editado pela Sextante. Quase todo mundo que eu conhecia tinha aquele livro. E o que ele tinha? Uma frase e uma imagem por página! E as pessoas compravam!

Então pensei que aquele era o modo certo de vender poesia, e passei a procurar editoras especializadas em livros-presente. Encontrei três. Uma delas foi a Booksmile, que me disse sim após três dias de eu os ter contactado. Uma outra foi a Vergara, que não tinha respondido meu e-mail, e agora vai publicar meus livros no Brasil. A outra é a Helen Exley, que também não tinha respondido, mas agora está negociando os direitos do “Vida” com Manuel de Freitas. Enfim… é a vida.

 

Esta foi a primeira vez em que o texto foi “comercializado”?

Sim. Ao menos por mim! (risos)

 

Que conselho você daria para alguém que acaba de descobrir que o seu texto está circulando com a autoria trocada?

Reúna provas e testemunhas, em seguida siga os procedimentos da Fundação Biblioteca Nacional para registro.

 

Além de “Vida”, existe algum outro texto seu que esteja circulando sem os devidos créditos?

Sim. A frase “A maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la.” que é um trecho do poema “Todo o amor” e é que encontrada facilmente com autoria atribuída a Bob Marley!

 

 

 

 

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Este é o Trabalho de Conclusão de Curso de Sarah Westphal, jornalista e redatora publicitária, orientado pelo professor Francisco José Karam.

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sarinha.westphal@gmail.com

Florianópolis, Santa Catarina

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